Wednesday, 28 October 2009
Amor,
Quando a duvida na mente desperta, geralmente indica o amanhecer do fim. Como o ultimo dia de um condenado se tratasse, onde todos os caminhos encontram o mesmo fim. Nada muda o que se passou, mesmo quando capazes de ceder as nossas vidas para tão pouco. A alma com um cartaz nela pregado "saldos" e o demónio de tão pobre não surge. O purgatório é o meu destino se da minha vida falasse e no entanto é para lá que caminho. Sou humano e o trecho sou eu que o percorro, o destino é o meu fim e a duvida minha arma.
Thursday, 1 January 2009
Onde é que está a Lua...
Olhei para o céu, por várias vezes nesta última e primeira noite e não encontro-te em lado nenhum. Nem para trazer a recordação de um tempo não muito longínquo, mas que cada vez mais torna-se, tenho a impressão, nele perdido.
Apesar de continuares a iluminar os céus todas as noites, não te consigo ver; certamente decidiste tornar-te cega aos meus olhos. Por um tempo vivemos um romance digno de ti, de nós, uma impossibilidade que nos foi agraciada pelo tempo e que levou-nos ao Olimpo. Nunca te vi tão bela, nunca estive tão feliz; apesar de quereres que esse segredo fique guardado na morada dessas divindades do qual não pertencemos, mas lá chegamos juntos e não nos foi negada a entrada.
Será que não foi tudo o que esperavas, será que não foi para lá de todos esses sonhos e pesadelos pelos quais temos de acatar? Então porquê tamanha distância, porquê essa constante vontade de fugires, esconderes-te de mim? Será que ainda sequer por aí estás?
Não procuramos nós o mesmo? Porque afinal o tempo do tu e eu já há muito deixou de ser desde aquele beijo maroto que do acaso não surgiu, mas o de nós tarda à chegar e eu não consigo deixar de conter a minha impaciência. E as expectativas, como de saudade se tratassem, não param de crescer e sei que a queda será grande se tu, finalmente, viraste-me as costas e decidiste contrária à minha vontade...
Seja o que for, seja como for! Amanhã cá estarei, mais uma vez, pela última e primeira noite a olhar para os céus, na esperança de poder encontrar-te, para lá desta cortina.
Apesar de continuares a iluminar os céus todas as noites, não te consigo ver; certamente decidiste tornar-te cega aos meus olhos. Por um tempo vivemos um romance digno de ti, de nós, uma impossibilidade que nos foi agraciada pelo tempo e que levou-nos ao Olimpo. Nunca te vi tão bela, nunca estive tão feliz; apesar de quereres que esse segredo fique guardado na morada dessas divindades do qual não pertencemos, mas lá chegamos juntos e não nos foi negada a entrada.
Será que não foi tudo o que esperavas, será que não foi para lá de todos esses sonhos e pesadelos pelos quais temos de acatar? Então porquê tamanha distância, porquê essa constante vontade de fugires, esconderes-te de mim? Será que ainda sequer por aí estás?
Não procuramos nós o mesmo? Porque afinal o tempo do tu e eu já há muito deixou de ser desde aquele beijo maroto que do acaso não surgiu, mas o de nós tarda à chegar e eu não consigo deixar de conter a minha impaciência. E as expectativas, como de saudade se tratassem, não param de crescer e sei que a queda será grande se tu, finalmente, viraste-me as costas e decidiste contrária à minha vontade...
Seja o que for, seja como for! Amanhã cá estarei, mais uma vez, pela última e primeira noite a olhar para os céus, na esperança de poder encontrar-te, para lá desta cortina.
Monday, 1 December 2008
A Lua num prato...
Meses passaram-se e ainda consigo sentir, recriar, o tocar nos meus lábios de algo sensacional, a lua servida num prato, o sopro roubado, o pular do coração. [inacabado]
Monday, 7 July 2008
Emperrado
Ontem, estranhamente, fiquei sem palavras, não sabia o que dizer nem como dizer, a cada momento vejo as palavras a voarem-me da boca e eu fico sem saber o que dizer. A minha mente, ultimamente, anda à volta de um tema, um único tema, que tem servido de rolha a tudo o que me faz mover. Estou emperrado, nada há para dizer a não ser aquilo que quero dizer.
Mas o momento diz-me constantemente não estar pronto em ouvir o que tenho a dizer, apesar do meu constante sussurrar nos seus ouvidos para ganhar a sua atenção.
Enquanto o tempo passa a minha mente torna-se branca, de quando em vez lá se recorda do grito ensurdecedor da minha voz interna à qual aprendeu a ignorar. E assim continuará, aguardando para que a chama não se apague, entretanto.
Mas o momento diz-me constantemente não estar pronto em ouvir o que tenho a dizer, apesar do meu constante sussurrar nos seus ouvidos para ganhar a sua atenção.
Enquanto o tempo passa a minha mente torna-se branca, de quando em vez lá se recorda do grito ensurdecedor da minha voz interna à qual aprendeu a ignorar. E assim continuará, aguardando para que a chama não se apague, entretanto.
Saturday, 9 February 2008
Palavras deslavadas, como tudo termina
Depois dos dias de sol, vêm os dias de chuva. É difícil esconder o desgaste do meu rosto, da minha alma, depois de ter dado o meu todo numa batalha pré-destinada ao fracasso. Nadei contra a maré sem nenhum efeito, a não ser o de retardamento.
A chuva veio para diluir as palavras do cansaço escritas nas páginas do passado, palavras que me são, que me eram valiosas. Palavras vasculhadas e estudadas sem fôlego à procura de uma resposta que não existe.
Num último esforço, em vão, de proteger as páginas de palavras deslavadas, seguro-as contra o meu peito, ao abrigo da chuva, evitando para que elas se encharquem. Mas a minha desmazela, ou será cautela, não impediu o inevitável. As palavras deram lugar a um traçado de tinta que agora coloreava as páginas que se desfaziam, sugando a esperança do meu coração assim como a mágoa que o aprisionava no passado.
A chuva veio para diluir as palavras do cansaço escritas nas páginas do passado, palavras que me são, que me eram valiosas. Palavras vasculhadas e estudadas sem fôlego à procura de uma resposta que não existe.
Num último esforço, em vão, de proteger as páginas de palavras deslavadas, seguro-as contra o meu peito, ao abrigo da chuva, evitando para que elas se encharquem. Mas a minha desmazela, ou será cautela, não impediu o inevitável. As palavras deram lugar a um traçado de tinta que agora coloreava as páginas que se desfaziam, sugando a esperança do meu coração assim como a mágoa que o aprisionava no passado.
Sunday, 3 February 2008
Ainda dói-me.
Ainda dói-me. Não sei quanto tempo isto vai durar, mas a verdade é que ainda dói-me. Todos os dias pergunto-me, o que fiz para ser merecedor disto? É como se, durante a minha vida cometi o maior dos pecados e agora pago por eles, constantemente, a cada dia.
Ainda dói-me. Todos os dias, quando marcho pela rua, não há um momento em que o sentimento não me invada os pensamentos. Por vezes finjo que é um bocado de poeira que entrou-me nos olhos. Tentando sacudir a poeira do pensamento, levo os dedos aos olhos, à ferida, e tento esconder o meu embaraço, tornando-o mais evidente. Não consigo mentir ao mundo, mentir a mim mesmo, o acto de dissimular a dor torna-a mais evidente, com o rio que agora escorre no meu rosto. O embaraço torna-se maior, levando a minha mão a cobrir o meu rosto, enquanto que sua gémea procura por um bocado de reconforto, nos bolsos da minha triste figura.
Ainda dói-me. Neste momento a suavidade do papel macio, encontrado nos confins, onde reinam a escuridão e a confusão, é o meu único reconforto. Um parasita que se degrada ao alimentar-se das impurezas, puras, do corpo humano. Este é o meu reconforto?! A casa que me permite reganhar a minha postura?! Absorvendo uma ínfima parte daquilo que me atormenta.
Ainda dói-me. Finalmente, conquistando o silêncio dos meus olhos, não da minha alma, resumo caminho. Com o meu andar notoriamente torto, inseguro, aleijado. Ganhando o sentimento de pena em meu retorno, decido fugir para o buraco de onde saí, com receio da chacota, para recuperar a coragem e enfrentar a realidade mais uma vez.
Ainda dói-me. Todos os dias, quando marcho pela rua, não há um momento em que o sentimento não me invada os pensamentos. Por vezes finjo que é um bocado de poeira que entrou-me nos olhos. Tentando sacudir a poeira do pensamento, levo os dedos aos olhos, à ferida, e tento esconder o meu embaraço, tornando-o mais evidente. Não consigo mentir ao mundo, mentir a mim mesmo, o acto de dissimular a dor torna-a mais evidente, com o rio que agora escorre no meu rosto. O embaraço torna-se maior, levando a minha mão a cobrir o meu rosto, enquanto que sua gémea procura por um bocado de reconforto, nos bolsos da minha triste figura.
Ainda dói-me. Neste momento a suavidade do papel macio, encontrado nos confins, onde reinam a escuridão e a confusão, é o meu único reconforto. Um parasita que se degrada ao alimentar-se das impurezas, puras, do corpo humano. Este é o meu reconforto?! A casa que me permite reganhar a minha postura?! Absorvendo uma ínfima parte daquilo que me atormenta.
Ainda dói-me. Finalmente, conquistando o silêncio dos meus olhos, não da minha alma, resumo caminho. Com o meu andar notoriamente torto, inseguro, aleijado. Ganhando o sentimento de pena em meu retorno, decido fugir para o buraco de onde saí, com receio da chacota, para recuperar a coragem e enfrentar a realidade mais uma vez.
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