Sunday, 18 July 2010

Por momentos perco-me no exercício do porquê, Entro por labirintos de imagens e de palavras e de memórias e saio como entrei, sem ver, Estou na mesma, nada move o pensamento, Por vezes surge uma vontade de encharcar os olhos, mas nada digno desse preço fá-las desenrolar e volta-se à mesma, Como uma pedra quando lançada sente e não se mexe, Esqueço-me de aniversários assim como me lembrava deles, Ao virar da esquina nem o milagre perante os meus olhos guardo lembrança, Estou assim, com vitórias que festejo segundos e derrotas que choro semanas.

Wednesday, 2 June 2010

“Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

Wednesday, 28 October 2009

Amor,

Quando a duvida na mente desperta, geralmente indica o amanhecer do fim. Como o ultimo dia de um condenado se tratasse, onde todos os caminhos encontram o mesmo fim. Nada muda o que se passou, mesmo quando capazes de ceder as nossas vidas para tão pouco. A alma com um cartaz nela pregado "saldos" e o demónio de tão pobre não surge. O purgatório é o meu destino se da minha vida falasse e no entanto é para lá que caminho. Sou humano e o trecho sou eu que o percorro, o destino é o meu fim e a duvida minha arma.

Friday, 5 June 2009

Hoje pensei em ti...

Hoje pensei em ti. Pensei em ti como penso todos os dias e apesar de me ter proibido pronunciar teu nome não consigo esquecer-te. Esquecer-te, como uma maneira de esquecer aquilo que sinto por ti.

Hoje pensei em ti. Se hoje acordo ao som dos olhos da primavera, observo o horizonte por entre linhas do oceano e logo deito-me à contar as estrelas; és tu quem me vai na mente.

Se não é o teu nome que me atormenta vindo de uma boca descuidada, é a tua imagem; como um brasão gravado naquele que já não dança por mim.

Hoje pensei em ti; deve ser da saudade, porque um afago eterno face ao tempo nunca envelhece.

Hoje pensei em ti porque não tenho outra solução.

Thursday, 1 January 2009

Onde é que está a Lua...

Olhei para o céu, por várias vezes nesta última e primeira noite e não encontro-te em lado nenhum. Nem para trazer a recordação de um tempo não muito longínquo, mas que cada vez mais torna-se, tenho a impressão, nele perdido.

Apesar de continuares a iluminar os céus todas as noites, não te consigo ver; certamente decidiste tornar-te cega aos meus olhos. Por um tempo vivemos um romance digno de ti, de nós, uma impossibilidade que nos foi agraciada pelo tempo e que levou-nos ao Olimpo. Nunca te vi tão bela, nunca estive tão feliz; apesar de quereres que esse segredo fique guardado na morada dessas divindades do qual não pertencemos, mas lá chegamos juntos e não nos foi negada a entrada.

Será que não foi tudo o que esperavas, será que não foi para lá de todos esses sonhos e pesadelos pelos quais temos de acatar? Então porquê tamanha distância, porquê essa constante vontade de fugires, esconderes-te de mim? Será que ainda sequer por aí estás?

Não procuramos nós o mesmo? Porque afinal o tempo do tu e eu já há muito deixou de ser desde aquele beijo maroto que do acaso não surgiu, mas o de nós tarda à chegar e eu não consigo deixar de conter a minha impaciência. E as expectativas, como de saudade se tratassem, não param de crescer e sei que a queda será grande se tu, finalmente, viraste-me as costas e decidiste contrária à minha vontade...

Seja o que for, seja como for! Amanhã cá estarei, mais uma vez, pela última e primeira noite a olhar para os céus, na esperança de poder encontrar-te, para lá desta cortina.

Monday, 1 December 2008

A Lua num prato...

Meses passaram-se e ainda consigo sentir, recriar, o tocar nos meus lábios de algo sensacional, a lua servida num prato, o sopro roubado, o pular do coração. [inacabado]

Monday, 7 July 2008

Emperrado

Ontem, estranhamente, fiquei sem palavras, não sabia o que dizer nem como dizer, a cada momento vejo as palavras a voarem-me da boca e eu fico sem saber o que dizer. A minha mente, ultimamente, anda à volta de um tema, um único tema, que tem servido de rolha a tudo o que me faz mover. Estou emperrado, nada há para dizer a não ser aquilo que quero dizer.

Mas o momento diz-me constantemente não estar pronto em ouvir o que tenho a dizer, apesar do meu constante sussurrar nos seus ouvidos para ganhar a sua atenção.

Enquanto o tempo passa a minha mente torna-se branca, de quando em vez lá se recorda do grito ensurdecedor da minha voz interna à qual aprendeu a ignorar. E assim continuará, aguardando para que a chama não se apague, entretanto.